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Saúde

Mais de 70% dos trabalhadores não se exercitam regularmente

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Divulgação
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Pesquisa alerta para incentivo às práticas saudáveis para evitar doenças e fortalecer a musculatura

Somente um quarto da população brasileira que trabalha com carteira assinada pratica atividade física. A constatação é do recorte “Indicadores de Saúde e Mercado de Trabalho” da mais recente Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013), divulgada no fim do mês passado pelo IBGE e Ministério da Saúde, parceiros no estudo.

Segundo os dados, são 25,2% dos trabalhadores brasileiros - considerando somente o mercado formal -, a parcela que pratica o nível recomendado de exercícios físicos, que é de, pelo menos, 150 minutos semanais de intensidade leve ou moderada ou de, pelo menos, 75 minutos de atividade física de intensidade vigorosa. Isso significa que uma parcela majoritária – 74,8% -, não se exercita em ritmo satisfatório.

O médico erechinense Juarez Castro, que atua na área de medicina do Trabalho, comenta que este é um número alto, não somente no que diz respeito aos trabalhadores como também à população em geral. Segundo ele observa-se que ainda não há uma cultura de combate ao sedentarismo. “Consideramos quase como uma doença no sentido de que, se as pessoas não exercem uma atividade física regular, não se movimentam, isso acaba contribuindo para o surgimento de doenças e no trabalho isso é ainda mais comum”, explica.

Segundo ele muitos colaboradores acabam apresentando doenças pelo desempenho repetitivo e por não ter uma condição física para fazer aquela atividade. “Se a pessoa tem uma musculatura com fortalecimento muscular, terá condições de desempenhar tal função. O próprio atleta faz todo um trabalho para que quando faça a atividade, não tenha tantas lesões porque há um reforço muscular”, pontua.

O médico destaca que atualmente a maioria das empresas está investindo nas ginásticas laborais – atividade física vinculada ao tipo de atividade que realiza. Contudo, essas práticas duram em média, de cinco a 10 minutos e muitas vezes não é o suficiente.

“Muitas vezes orientamos as pessoas para que ao voltar do trabalho, desçam do transporte uma quadra antes; além disso, no ambiente de trabalho, intercale momentos sentada e em pé, e procure movimentar as pernas para evitar dores musculares que são muito comuns”, cita.

Outra medida para combater o sedentarismo é a ergonomia – incentivar os colaboradores a manterem uma postura correta ao exercer as atividades. Do mesmo modo, organizar os móveis de forma que contribuam para o exercício das funções e evitem posturas viciosas que são causadoras de doenças e afastamentos.

Entre as patologias mais comuns estão as lombalgias (dores na região da coluna). Há também as tendinites, burcites que são muito comuns, principalmente se levadas em conta as atividades domiciliares. As mulheres também sofrem porque aliado ao trabalho, tem as atividades de casa e as questões hormonais, sendo que isso pode gerar uma sobrecarga.

Orientações

No ambiente de trabalho o conselho é observar as atividades e o modo que são desempenhadas, e o que pode ser modificado para mudar posturas viciosas, sobrecargas de trabalho, então é avaliado o posto de trabalho. Outra dica é realizar atividades físicas regulares, além das práticas laborais.

“Dedicar momentos para ginástica, uma atividade considerada compensatória tendo em vista o fortalecimento musculatório”, ressalta o médico.

Sobre a pesquisa

A pesquisa constatou que 15,2% da população do mercado formal de trabalho fuma e 30% consome bebida alcóolica uma ou mais vezes por semana – proporção de consumo de álcool maior que a média nacional se considerados todos os brasileiros com mais de 18 anos, que é de 24%, segundo a PNS. No quesito doenças crônicas, o estudo detectou que 6,2% dos trabalhadores com carteira assinada sofrem de depressão, enquanto entre os desempregados essa proporção é de 7,5%.

Em março, o Ministério da Saúde criou a Linha de Cuidados da Atenção Básica para excesso de peso e outros fatores de risco associados ao sobrepeso e à obesidade até o atendimento em serviços especializados. A Atenção Básica proporciona diferentes tipos de tratamentos e acompanhamentos ao usuário, o que inclui também atendimento psicológico.
A pessoa com sobrepeso (IMC igual ou superior a 25) poderá ser encaminhada a um polo da Academia da Saúde para realização de atividades físicas e a um Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) para receber orientações para uma alimentação saudável e balanceada. Atualmente, 77% dos 2.040 NASFs contam com nutricionistas; 88,6% com psicólogos e 50,4% com professores de educação física. A evolução do tratamento deve ser acompanhada por uma das 39,2 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS), presentes em todos os municípios brasileiros.

O Programa Academia da Saúde é a principal estratégia para induzir o aumento da prática da atividade física na população. Até agora, já foram repassados R$ 175 milhões, de um total de investimento previsto de R$ 390 milhões. A iniciativa prevê a implantação de polos com infraestrutura, equipamentos e profissionais qualificados para a orientação de práticas corporais, atividades físicas e lazer. Atualmente, há mais de 2,8 mil polos habilitados para construção em todo o país e outros 155 projetos pré-existentes que foram adaptados e custeados pelo Ministério da Saúde.

 

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