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Saúde

Aleitamento materno: Semana reforça ato que beneficia bebês e mães

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Ana Paula Canfil com a filha Nathaly e a enfermeira Rafaela Ziebarth Schwendler
Ruti Ortiz da Silva junto da filha Vitória e do esposo Dejair
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Campanha mundial enfatiza que amamentação contribui para desenvolvimento infantil e sustentável

Amamentar faz bem à saúde da mãe, do bebê e também do planeta. Esse é o alerta da campanha publicitária lançada na segunda-feira (1) pelo Ministério da Saúde em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria. Cartazes, folders e cartões para internet chamam a atenção das pessoas sobre as metas de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e como elas se relacionam com a amamentação. O Brasil é referência no mundo quando se trata de aleitamento materno, registrando uma taxa de 41%. Está a frente de países como os Estados Unidos, Reino Unido e China, com o dobro das taxas de aleitamento exclusivo até os seis meses e 12 meses de vida quando comparado a estes países.

Hospital Santa Terezinha dispõe de um trabalho específico de incentivo à amamentação

A enfermeira obstétrica e coordenadora da maternidade, Rafaela Ziebarth Schwendler ressalta que o leite é o melhor alimento do bebê, pois é puro, está na temperatura correta e possui os anticorpos para o bebê. Além disso, no Brasil, a política de aleitamento materno prevê que os bebês sejam amamentados até o sexto mês. “O aleitamento materno é imprescindível também para o vínculo da mãe com o bebê como para a saúde dos dois”, destaca.

Sobre o tema da campanha a nível nacional, a enfermeira explica que, mães que se alimentam melhor, com comidas sem agrotóxicos, embutidos, fast foods, posteriormente terão uma qualidade melhor do leite, irão amamentar melhor, as crianças terão uma alimentação e uma saúde muito melhor.

“Diante disso, o governo terá menos gastos neste setor, há também a redução das taxas de diabetes e obesidade. Um trabalho a longo prazo”, acrescenta.

Orientação às mamães

Rafaela destaca que em se tratando de orientações às futuras mamães, uma delas é para que não desistam diante das dificuldades. “Caso tenham dificuldades, busquem ajuda na rede de apoio familiar ou procurem o hospital Santa Terezinha para realizar uma consulta de enfermagem, tirar as dúvidas, pois há uma equipe preparada para esclarecimentos”, orienta.

Outra dica é procurar apoio de um pediatra, além de ingerir bastante líquido, inclusive chás, leite, pois a mamãe não pode ficar desidratada.

Satisfação em amamentar 

Para a dona de casa Ana Paula Canfil, de 24 anos, amamentar a pequena Nathaly, que nasceu domingo (31), é uma sensação indescritível. “É bom tanto para ela quanto para mim. Uma sensação muito boa”, declarou, citando que tanto para esta filha quanto para os outros três filhos, não teve dificuldade para amamentar.

Do mesmo modo está a mamãe Ruti Ortiz da Silva, de 26 anos. Na manhã de ontem (2) ela aguardava junto da filha Vitória e do esposo Dejair, o momento tão esperado da alta hospitalar. A caçula, de três filhos, também nasceu no domingo. Ruti comentou à reportagem do Bom Dia, que a amamentação é um momento maravilhoso. “É mais uma forma de transmitir amor, segurança e contribuir para a saúde do bebê. Além disso, eles ficam mais calminhos”, disse.

Recomendação

A Organização Mundial da Saúde recomenda que os bebês recebam leite materno até os dois anos ou mais associado à alimentação complementar saudável, sendo exclusivamente até o sexto mês de vida. Além de fazer bem para a saúde da criança e da mulher, o aleitamento materno é a forma mais econômica e ecológica de alimentar uma criança. Para fabricação dos leites em pó ou longa vida é necessário o uso de energia, assim como materiais para embalagem, combustível para a distribuição e de água, além de produtos de limpeza tóxicos para o preparo diário. Por isso, só devem ser utilizados por orientação médica, quando a mulher estiver impedida de amamentar.

Mas a recomendação da OMS não está sendo seguida a risca pelo mundo. Segundo o Programa das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 77 milhões de recém-nascidos – ou um a cada dois – não são amamentados em sua primeira hora de vida, sendo privados de nutrientes e anticorpos e do contato corporal com suas mães, essenciais para protegê-los de doenças e da morte. Atrasar o aleitamento materno entre duas e 23 horas após o nascimento aumenta em 40% o risco de morte nos primeiros 28 dias de vida. Atrasá-lo por 24 horas ou mais aumenta esse risco em 80%. Segundo a Unicef, apenas 43% dos bebês no mundo com menos de 6 meses de idade são amamentados exclusivamente.

Brasil é destaque

No início do ano, a revista britânica The Lancet na série especial sobre aleitamento materno, alertou sobre os índices globais de amamentação exclusiva em crianças menores de seis meses, que ainda estão abaixo de 50% na maioria dos países. De acordo com dados da revista, os avanços destacados nesse estudo mostram que as crianças brasileiras em 1974-1975 eram amamentadas em média dois meses e meio, sendo que em 2006-2007 essa média subiu para 14 meses. A revista indica que um aumento de 10 pontos percentuais no índice de amamentação exclusiva até os seis meses ou da amamentação continuada até os dois anos ou mais se traduziria numa economia em tratamentos de saúde de 6 milhões de dólares no Brasil.

Política nacional de aleitamento

As expressivas taxas de aleitamento materno no Brasil se deve ao fato da Política nacional de aleitamento materno possuir diversas ações que apoiam, promovem e protegem a amamentação. Na atenção primária, o ministério capacitou 22.371 profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) para promover a prática do aleitamento materno e alimentação complementar saudável nas famílias. Na atenção secundária e terciária, existe a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC com 326 certificados em todo o país), além dos 220 Bancos de Leite Humano que compõe a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (BLH) e o Método Canguru, voltados aos recém-nascidos de baixo peso.

O Ministério da Saúde também possui ações que são transversais e intersetoriais como a estratégia “Mulher Trabalhadora que Amamenta”, que entre seus eixos, incentiva as empresas a implementar salas de apoio amamentação. Atualmente existem 160 salas de apoio certificadas em todo Brasil.

 

 

 

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