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Blog do Dennis Allan

As marcas de Jesus

Por Dennis Allan

Na sua carta aos gálatas, Paulo mostrou que os cristãos não vivem sob a Lei do Antigo Testamento. Especificamente, ele argumentou contra a prática da circuncisão como rito de santificação espiritual: “Pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura” (Gálatas 6:15). Durante quase 2.000 anos, a circuncisão foi uma marca que separava os descendentes de Abraão, o povo escolhido, dos outros povos. Essa distinção perdeu significado em Cristo, que uniu em um corpo espiritual pessoas de todas as nações.

Paulo recusou uma marca e aceitou outra. Logo depois, ele escreveu: “Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus” (Gálatas 6:17). Ao falar dessas marcas, Paulo usou a palavra stigmata, que identificava marcas feitas por tatuagem ou com ferro quente. Essas marcas, na época, foram feitas na testa de escravos que tentavam fugir, assim humilhando essas pessoas para o resto da vida. As marcas no corpo de Paulo foram as cicatrizes dos abusos que ele recebeu por causa da sua fé. Ele foi apedrejado e açoitado várias vezes, castigos que deixavam marcas para o resto da vida. Desta maneira, o apóstolo aceitou sua posição como escravo de Cristo, e nunca tentou fugir do seu Senhor.

No caso dos escravos fugitivos no tempo dos romanos, os próprios “donos” marcavam seus corpos. No caso de Paulo, foram os adversários do Senhor que deixaram essas marcas na tentativa de humilhar ou até matar o apóstolo. Ele não foi forçado a ser escravo, mas aceitou essa posição voluntariamente.

No Novo Testamento, a palavra grega doulos, que significa escravo, aparece mais de 120 vezes. Na maioria das Bíblias, é traduzida como “servo”, talvez para abrandar o impacto por causa de uma aversão à noção da escravidão para descrever a relação dos fiéis com o Senhor. Paulo não se sentia envergonhado ao se identificar com esse termo. Ele usou exatamente essa palavra para se identificar como escravo de Cristo (Romanos 1:1; Filipenses 1:1). Paulo não era o único a se identificar como escravo de Cristo. A carta de Tiago, provavelmente escrita pelo próprio irmão de Jesus, começa com esta declaração: “Tiago, servo [doulos, escravo] de Deus e do Senhor Jesus Cristo...”.

O que aprendemos desses exemplos? Se os apóstolos e o próprio irmão de Jesus se descreviam como escravos do Senhor, nós não devemos aceitar nossa posição de escravos sob o domínio absoluto de Jesus?

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